bombazzine
Agora em versão ferrugem. Liberdade, conforto e estilo. Um blog a favor de joelheiras e cotoveleiras, porque a protecção também é importante. Coçado, mas duradouro e com rendas nas bainhas.
segunda-feira, julho 21, 2008
sexta-feira, abril 04, 2008
Curling ou esfregating?
Um dia destes, ao serão, em casa da minha boa amiga, pudemos assistir a um momento de curling, o desporto mais espectacularmente estúpido que existe. Sempre que vejo curling, imagino que tenha sido um desporto inventado por donas de casa obcecadas com a limpeza, que decidiram levar ao extremo a sua técnica de varrer o chão. Uma patologia de tal modo enraizada que exigiria a presença de público, pontuação, competição, enfim uma loucura. Mas afinal, não. Investiguei e afinal parece que o jogo foi inventado no séc.XVI na Escócia e, dizem, é um jogo de alta precisão e perícia que pode ser equiparado a um jogo de xadrez em 30 segundos.

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segunda-feira, outubro 08, 2007
Sinto-me meio coxa meio feliz (ATENÇÃO: POST PESSOAL)
A minha boa amiga, a partir de hoje, vai deixar de passar todo o santo dia comigo. Andamos nisto há mais de seis anos e, hoje, a história é outra. Em seis anos, houve muitas coisas que se passaram nas nossas vidas. Muitas delas que só nós sabemos. Um rol de pensamentos atravessava-se diariamente entre nós. E mesmo quando nos calávamos, sabíamos prever ciclos de humor, distâncias e tudo o resto que acontece em seis anos todos os dias. Fomos impacientes e pacientes uma com outra. Absorvemos manias, desenvolvemos uma linguagem só nossa, ultrapassámos limites, mas procurámos sempre as melhores fronteiras. O nosso território tornou-se independente e mais forte. A minha boa amiga e eu crescemos nestes seis anos. E a nossa relação também. Já não somos tão pouco saudáveis como já fomos, mas continuamos adolescentes em dezenas de comportamentos. E vamos gostando, que é o que interessa.
Hoje quero desejar-lhe toda a sorte e felicidade, para este recomeço.
E, neste passo meio certo meio desalinhado que há entre nós, não tarda nada, volto a alinhar-me nos passos largos que nos levam para o futuro e daqui para fora.
Terei saudades desse dia-a-dia tão nosso, tão fluente e fluido, tão congestionado e entupido, tão diverso e tão igual. Mas sei que muitas outras coisas vamos ganhar. Todos os dias também...
Hoje é dia de homenagem. Homenagem à sandera, que está "livre como uma matrioska". Homenagem à boa amiga, pelos dias ricos que me trouxe. Homenagem à boa amizade que cresce e que nos faz superar.
Boa sorte, boa amiga! Ide sempre a abrir!
sexta-feira, setembro 28, 2007
Elogio à inflexibilidade
O prémio já era conhecido há algum tempo, João Pacheco ganhou o Prémio Gazeta Revelação, atribuído pelo Clube de Jornalistas, por reportagens que escreveu para a revista Pública. A entrega de prémios foi, no entanto, na passada terça-feira e a cerimónia teve como convidado o "nosso" Presidente da República.
Foi perante ele e "restantes convidados" que João Pacheco dedicou o seu prémio a todos os jornalistas precários. No seu discurso, elucidou o público sobre a situação profissional precária que vive, denunciando o que toda a gente sabe e vê - que a precariedade no trabalho é uma constante em Portugal, especialmente entre os jovens, e que o seu caso não é excepção. Fê-lo quando o bom-senso subserviente o aconselharia a ficar calado e a agradecer de mansinho. Fê-lo porque é "inflexível" nas suas convicções, algo muito menos comum que a flexibilidade reinante (que é como quem diz, a capacidade de engolir sapos).
O João evita dores de estômago e ganha em peito feito. Depois da sua entrevista em directo para o Jornal 2, até a jornalista Alberta Marques Fernandes se permitiu fazer um discurso político, evidenciando o direito constitucional ao emprego e sublinhando a situação comum da precariedade. O João fez muito mais do que a maior parte consegue fazer, usou um veículo seu para carregar uma série de gente. E fê-lo, como sempre, com dignidade e humor, sem paninhos quentes. A parte do dinheiro que recebeu (já que dividiu o seu prémio com os repórteres fotográficos) diz que servirá para pagar as dívidas à Segurança Social, fim que designou como "nobre", mesmo não tendo "rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos".
Eu faço-lhe a vénia, como tem ele por hábito fazer. Parabéns, João! Bem hajas!
Para ler o discurso, podem clicar aqui ou de forma mais "oficial" também aqui. Vale bem a pena!
terça-feira, julho 17, 2007
A coisa do fascínio
Há coisa de dez anos, meti-me no teatro, por acaso e por "mera" afinidade afectiva, como quase tudo na minha vida. Rapidamente, o acaso e o afecto das minhas circunstâncias naquele lugar foram substituídas pela escolha consciente e pelo fascínio pela coisa. A magia do teatro, tantas vezes nomeada, passa muito mais pelo processo do que pelo acto da apresentação pública. No fundo, é uma e a mesma coisa, pois o fascínio é despertado pela presença dos corpos e das mentes, a superarem-se ao vivo para ti, pela energia que se concentra em determinado lugar com determinadas pessoas, ligadas naquele instante apenas pela ideia romântica de um espectáculo. Sobretudo, a magia do teatro está no trabalho conjunto. Está na linha ténue que separa a realidade da ficção, a normalidade do absurdo, a espontaneidade da elaboração. Essa linha é fascinante, mesmo que seja perigosa. Para um actor, as coisas são com certeza diferentes, mas para uma testemunha como eu, é aí que reside a paixão.
Mas já algum tempo que me sabia desapaixonada dessa coisa do teatro. O mais verdadeiramente rico no teatro -as pessoas, o tal colectivo- é também o mais podre, cansativo, exaustivo e, por vezes, entediante. A humanidade do teatro é fascinante, mas o reverso dessa humanidade pode esgotar o resto. As pessoas tornam-se simplesmente pessoas e a paixão só pode continuar se estivermos igualmente envolvidos de forma profunda com o acto teatral em si. E a verdade é que eu não fiquei. O acto criativo, a própria razão de ser do teatro, aborreceu-me. De tal modo que é-me penoso assistir a espectáculos de teatro. Irrito-me, entedio-me, não me surpreendo e, tantas vezes, o que me prende são novamente as pessoas e pouco mais. Diria que era como se se tivesse perdido a magia, como uma ilusão caída por terra.
Até ontem. Ontem não fui ao teatro, mas fui ver o "Ensaio sobre o teatro", um filme sobre o espectáculo "Ensaio sobre a cegueira", d'O Bando. Ao ver a magia aparecer de novo à minha frente, ao sentir o brilho nos meus olhos, uma espécie de embasbacanço generalizado num sorriso alegre e numa admiração incontida, percebi que o fascínio nunca desapareceu. Afinal ele permanece vivo dentro de mim, mesmo conhecendo as manhas, as fraquezas, os truques, aquele fascínio permanece. Mesmo não tendo especial vontade de voltar, mesmo que nunca mais aprecie um espectáculo de teatro, serei sempre uma apanhadinha daquela arte. E isso já ninguém me tira.
Tudo isto para dizer para irem ver, até 25 de Julho, o filme no Cinema São Jorge. Poucas coisas serão mais ternas que a máscara por detrás da máscara, mesmo quando já vimos por detrás da máscara da máscara. O humano é sempre imensamente belo.
Uma palavra ainda para a Sara de Castro (a única pessoa que me pode fazer voltar a habitar aquele lugar) que, embora não apareça no filme, foi a protagonista do "Ensaio sobre a cegueira", na segunda série de espectáculos. Para mim, é sempre a primeira.
quarta-feira, maio 30, 2007
quarta-feira, maio 16, 2007
recuerdo de coimbra II

Dois fãs muito giros, em coimbra a girar.
Fãs algo despistados, que foram de propósito a um cybercafé, perto da sé velha, para saberem a idade do Georginho. Isto depois de terem passado metade da viagem a mandar mensagens a amigos que pudessem esclarecer-nos. Os amigos, pelos vistos, estavam a apanhar sol, em vez de estarem ligados à net. Puf!!!!
By the way, vai fazer 44 no mês que vem.
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sexta-feira, maio 11, 2007
sexta-feira mix
Esta sexta-feira é digna de reflexão.
Senão vejamos (esta frase dá logo credibilidade): o 13 de Maio está a chegar; o Papa é um ganda freak; o George Michael actua pela primeira vez em Portugal; o Sporting vai jogar no mesmo estádio que o concerto no dia a seguir; o Pedro Abrunhosa continua a aparecer na tv; e há feira mix. Aparentemente nada disto está relacionado entre si, mas isso é porque vocês não estão a ver.
O 13 de Maio é sempre uma data simbólica em Portugal, quiçá no mundo. O colete fluorescente é dinamizado e ganha visibilidade graças aos peregrinos. A televisão pública esquece-se que é laica e começa a passar tudo o que é série, filme e documentário sobre três pastorinhos que, num local em que ovnis estão sempre a passar, tiveram uma visão da Nossa Senhora, que era bem amiga do Salazar, pelo menos naquela zona. E eu questiono-me sempre, porque conheço pessoas que, por aquelas bandas, viram fenómenos não identificados nos céus: Cadê a canonização dessa gente? Será a alegada nossa senhora um alien?
Adiante (mais uma expressão de credibilidade).
O Papa está no Brasil e disse, entre outros disparates, que os jovens deviam aderir ao amor casto. Amor casto???? O homem está no Brasil! Quererá ele provocar uma guerra mundial? Àquela temperatura, com tanta bunda e peitoral bronzeado, ele promove o amor casto? O que iriam fazer as criaturas com tanta tensão (ou tesão, neste caso)? Para onde dirigiriam a sua energia? Para o mal no mundo, com certeza. O papa está parvo (mas pronto defendeu a protecção da Amazónia, é ecofixe!).
E agora o que interessa.
Pela primeira vez, Wake me up before you go-go, Faith, Freedom e tudo o resto ao vivo! O Senhor seja louvado. O senhor george, está claro, porque o Senhor do Papa seja louvado pela protecção da selva amazónica.
O meu paizinho acusou-me de traição ao nosso clube do coração, o Sporting, por ser uma das pessoas que vai estragar o relvado para o jogo do dia seguinte entre os Leões e a Académica. Se soubesse de antemão, tinha pedido para a bancada, mas assim o senhor que me perdoe, mas o george michael vence sempre. O senhor Paulo Bento, é claro, porque o outro deverá perdoar-me outras coisas mais relevantes para a salvação da alma.
A propósito de traição, outra questão que me tem assaltado o espírito é imaginar como seria se, ao menos, o Abrunhosa não tivesse acabado os estudos. Portugal não teria um cantor com óculos escuros, é certo, mas por outro lado teríamos muito mais paz de espírito e muito menos baladas foleiras.
Para terminar esta sexta-feira do diabo e este post, que comecei a escrever de manhã e só agora termino, aqui fica uma sugestão interessante para o fim-de-semana. Margapinta, Bolila e Mofo são os maiores!

Obviamente nada disto tem relação entre si. É só um mix de sexta-feira.
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domingo, abril 08, 2007
Post vão II
Sapatos ou ténis?
A propósito de uma discussão com a minha boa amiga... Se uma pessoa os usar como sapatos, passam a ser sapatos. Terão a roupa, os acessórios, o calçado, uma definição essencial ou uma definição em relação? Qual a verdadeira qualidade de um sapato? E de uns ténis?
Questões existenciais sem fim...
domingo, fevereiro 04, 2007
Olháli eu!
Passa uma miúda pequenita, talvez ainda não tenha dois anos. Olho para ela e penso para comigo "xiii, é a minha cara nesta idade". Calo-me porque penso que é só impressão e narcisismo tem limites de expressão. A prima, que está à minha frente alheia aos meus pensamentos, passa os olhos pela miúda que passa. Vira-se para mim e diz "xiii, aquela miúda é a tua cara naquela idade". Eu rio-me e digo que estava a pensar exactamente o mesmo, mas inibi-me de partilhá-lo. Ficamos as duas impressionadas, a tentar perceber exactamente o que é, ela diz os olhos, eu aponto para o nariz, mas até o raio do cabelo é semelhante. Acho que me sinto ligeiramente embaraçada e, ao mesmo tempo, orgulhosa. Como se algo esquecido de mim tivesse decidido aparecer para me lembrar de mim.
Há algo de assustador e ao mesmo tempo profundamente cómico em nos revermos numa miudita que passa. É um absurdo com sentido.
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segunda-feira, janeiro 29, 2007
Sacana (post pessoal)
Ele pode ter acabado com o blog, mas os textos que me envia por email estão a tornar-se perigosos. Fazem-me querer enviá-los em meu nome. Isso costuma acontecer-me com canções, grande sacana! Estilo já tinhas, agora parece que estás a apurar a alma. Ouço bem a tua voz.
Bem hajas Manso. Publica!
deixo aqui um dos últimos, até porque o tal pátio é meu.
"Le Bassin de John Wayne
Um dia apaixonei-me por uma mulher mas antes disso arranjei um gato. Uma gata, mais precisamente, que veio cá para casa quando era muito pequena. Não bastando isso de andar a trazer bichos para casa, a mulher por quem me apaixonei não se apaixonou por mim mas apaixonou-se pela gata, que não se apaixonou por ela nem por mim. Mas a gata era toda olhos redondos da cor da folha de louro seca e olhava-nos profundamente sem desviar o olhar (era uma gata napolitana nascida num pátio do bairro da Graça).
Foi muito triste porque uma vez, quando estávamos eu, a gata e a mulher por quem me apaixonei todos na salinha da minha casa de bonecas, com a janela aberta para um belíssimo e cruel Agosto, foi muito triste, dizia, porque eu olhava a mulher que olhava a gata que a olhava a ela. Gata e mulher olhavam-se fixamente: na cara da mulher um enternecimento pela gata, na cara da gata um desprezo curioso pela mulher por quem eu me tinha apaixonado.
Eu olhava as duas e depois olhava para o Verão cruel e belíssimo da minha rua lisboeta e pensava: não me vou safar nem com uma nem com outra. Por isso, naturalmente, a mulher por quem me tinha apaixonado saiu da minha casa de bonecas perdendo-se nesse Verão cada vez mais cruel e belíssimo e a gata foi ficando e crescendo na minha casa de bonecas de uma rua lisboeta.
A gata cresceu e deu num bicho um pouco estranho. Passo a explicar: a gata que eu tenho faz lembrar alguém: passa pé ante pé entre nós e não podemos ficar indiferentes: a parecença é assustadora. Quem a vê pode pensar: esta gata faz lembrar alguém ou alguma coisa e não percebe logo com quem ou com o quê a gata se parece, e quando percebe finalmente com quem ela se parece, exclama para si: mas é óbvio! E é estranho. E é mesmo.
Esqueçamos por favor Cleópatra. Mussolini também não é para aqui chamado. Esta gata não é a encarnação de ninguém, é apenas um bicho que nasceu num pátio da Graça num dia de Abril, e tem olhos cor de folha de louro seca e um nariz cor-de-rosa. E mais: esta gata quase não ronrona, optando por um expressivo e intimidador "ronrosnar".
O que se passa tem mais que ver com o gingado e a minha gata maneia-se ao jeito de John Wayne. A forma como se aproxima, o jeito da cabeça e do olhar, mas acima de tudo o movimento da bacia, dos quadris, tudo isso é um decalque do andar de John Wayne. Estou a escrever isto e ela está a passar aqui agora. É mesmo, não há dúvidas, aquelas patas de trás, a bacia. Agora sentou-se e é outra vez uma gata, sentada num quadrado de sol na carpete suja.
É um pouco assustador quando a nossa gata imita sem saber uma característica muito particular de uma estrela de cinema dos anos cinquenta. Não é a mesma coisa que o meu irmão, quando era mais pequeno, ter chegado à conclusão que o seu pé, descalço, lhe fazia lembrar a cara de um jogador do Futebol Clube do Porto. Essa parecença era um pouco mais equívoca enquanto que aqui não há a mínima dúvida, tragam-me cá um perito da cinemateca e vão ver que ele corroborará.
Mas para ser sincero, incomoda cada vez menos conviver com o andar de John Wayne dentro de casa. O que me aleija mais é olhar a minha gata e ver nos olhos dela a lembrança, como um reflexo que nunca mais se extinguiu, do olhar da mulher por quem eu estava apaixonado."
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quinta-feira, janeiro 25, 2007
Roubo de presente alheio
No Natal, o miúdo recebeu* um livro chamado Têpluquê e outras histórias, uma reedição de textos de Manuel António Pina. Ele ainda não começou a mostrar grande interesse pelo livro, é menos "infantil" do que os outros livros a que se habituou e com ilustrações de Bárbara Assis Pacheco mais arrojadas do que o normal. Eu, pelo contrário, já comecei a mostrar interesse e tenho-me deliciado com algumas das coisas que lá estão, principalmente porque até há uma Ana que não sabia que outras pessoas podiam ter o mesmo pensamento que ela. Para ele, continuo a ler outro género, como por exemplo outro presente (oferecido pelas mesmas pessoas) que me obriga a tentar dizer, sem me engasgar toda, a palavra Eustreptospôndilo. Poderia parecer mais complicado que o imaginário do Têpluquê, mas por ser um nome de dinossauro com tendências necrófagas, pelo contrário, é mesmo "muita fixe".
Voltando ao livro e ao meu roubo temporário, fiz dele também o meu auto-presente antecipado de aniversário, devido ao poema inicial de 1980, que partilho agora convosco e se chama "À Ana no dia do seu Anaversário". Se há algo mais doce que isto...
"Havia uma flor!
Nem eu sabia
onde é que a flor havia,
mas tanto fazia.
Talvez houvesse
onde ninguém soubesse
ou fosse uma flor de estar a haver
só na minha imaginação,
ou não fosse uma flor, fosse uma canção.
Nem a flor sabia
que existia.
Em qualquer sítio, sem saber, floria.
E se fosse uma canção cantava e não se ouvia.
E isso acontecia
no meu coração.
Não sei se era uma flor se uma melodia,
era qualquer coisa que havia
e cantava e floria
dentro de mim sem razão.
Ia na rua e ninguém diria.
As pessoas passavam
e eu dizia:
«Bom dia!»
e ninguém suspeitava
o bom dia que fazia
em qualquer sítio
que dentro de mim havia!
Só eu sabia e sorria,
levando-te pela mão."
* Bem hajam, Inês e João.
domingo, dezembro 31, 2006
ímpar
É suposto nesta altura escrever um post de boas vindas a 2007 e adeusinho 2006. Sinto que 2006 ainda me está a acontecer intensamente, talvez por que nunca vi esse 2007 na vida, e não sei se reúno as condições para escrever um post sentido de prosperidade. De qualquer modo, 'bora lá tentar o melhor.
2006 foi um ano de crise. Mas foi também um ano de muito amor, de muita ternura. Foi um ano de bebés maravilhosos a nascer e a crescer. De crianças extraordinárias cada vez mais na minha vida. Foi um ano em que os amigos continuaram a dar-me o seu amor e eu tentando retribuir o melhor que sei. Foi o ano da mais bela surpresa que me fizeram. Foi um ano intenso, tão intenso que teve de ser interrompido. Foi também um ano de morte, um ano de saudade.
Não há espaço para balanços quando ainda se está a balançar. Não há espaço para grandes decisões quando ainda se está em revolução. Há sempre espaço para desejos.
Por isso, para 2007, desejo que a terra se aplane de uma vez, ou um pouquinho mais. Que haja um caminho com um pouco mais de luz, com um pouco mais de paz. Desejo que ele apareça com o mesmo amor doce e terno...
Para vós, desejo o mesmo, com uma alegria intensa que paire sobre o vosso ano.
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sexta-feira, dezembro 22, 2006
Post de Natal
Um grande Natal para todos vocês, com prendas e filhoses, com surpresas e com repetições, com todos e mais o bacalhau. Com a família a crescer e com saudades que já não passam. Um Natal que já tenha começado e que acabe o mais tarde possível. Um Natal novo, que de novo aconteça.
Não há nada como o Natal. Aqui fica a minha música de Natal para vocês, que não é de Natal mas fala de anjos e eu gosto de anjos. Que o vosso vos proteja com amor.
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segunda-feira, dezembro 18, 2006
Um presente

Há um ano começava a escrever esta história a pensar no bebas. Neste aniversário, eu e o Bolila completámos o projecto. Espero que mãe e filho gostem.
E também todas as outras crianças maravilhosas que conheço, em especial uma que é um batatinha que me pede para contar 3 histórias a cada refeição e que, a partir desta, já me fez inventar a da ervilha do quintal e tenho encomendada ainda a história da cebola... ui catrabalheira.
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sexta-feira, novembro 10, 2006
Má cara?
Já me disseram que tinha discurso de drogadita, de gaja que leva porrada, que estou com cara de messenger, branca, pálida, a morrer, mas esta nunca me tinham dito:
Estás com cara de quem comeu peixe estragado.
O que vale é que isto tem dias e na maior parte deles até estou com boa cara. E, graças a Deus, nunca disseram que a minha cara parecia a "parte de trás de um esquentador"*.
*Expressão da minha boa amiga para nomear gente muito feia.
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quinta-feira, novembro 02, 2006
Não é assim tão fixe, não...
Esta história do Ikea ir abrir uma fábrica num local onde ia ser uma reserva florestal, que afinal de um dia para o outro já não é reserva coisa nenhuma, é de facto chocante. Nesse aspecto, concordo com o João.
Mas mais chocante ainda é uma pessoa deslocar-se lá a meio de um dia útil e aquilo estar apinhado de gente. Pior ainda é o artigo que procuramos estar esgotado.
Quer dizer... uma pessoa assim junta o útil ao agradável, não ter de se deslocar à loja porque o artigo mais barato está esgotado e consciência social! Embora este útil não seja nada útil, porque não vou encontrar em lado nenhum um beliche tão barato.
E o que é que se passa com a obsessão com as almôndegas, não são assim tão boas, pelo contrário. Estou deveras chateada, já vos digo! Se vão fazer fábricas em ex-futuras-reservas, é bom que melhorem o serviço... que é como quem diz, por favor, ponham lá a merda do beliche que eu não tenho dinheiro para mais!
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sexta-feira, outubro 27, 2006
1 ano
Quem diria? Ainda não é desta que acabo.
Parece que foi ontem que o naperon se guardou na gaveta.
Do bombazzine, posso dizer que se vai fazendo. Uns dias com mais estilo que outros, mas definitivamente sempre com ar coçado.
Parabéns a mim e aos que me vêm visitar.
Sede bem-vindos a este novo ano!
P.S. gandas cores hein?
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terça-feira, outubro 24, 2006
Fria fria
Hoje vinguei-me de todos os velhinhos que ontem me fizeram esperar na Estação de Correios: passei-lhes à frente no Centro de Saúde.
Quem os mandou meterem-se comigo? Hein? Hein?
Velhinho - Ui ui, vou pagar a minha conta da luz nos Correios.
Ana Vicente - Conheço o médico, pfffff!
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sexta-feira, outubro 20, 2006
Lá vamos nós - post meio cuspido
No dia em que médicos se associam para fazer campanha pelo sim (boa, vasco, parabéns!), no dia a seguir a ter sido aprovado a porcaria do referendo (bora mas é andar com isto já), alguns dias passados depois de o governo anunciar que gays casados, ui, lá para 2009 (e as próprias associações gays e lésbicas dizerem que não é assim tão importante), há que afirmar mais uma vez:
Vamos lá avançar com isto. Pôr a vida como ela é vivida dentro de outras vidas vividas de forma diferente. Não nos vamos esquecer que o nosso papel é esse, é viver com os outros, é mostrar-lhes quem somos. Todos todos. Eu cansei, não de ser sexy, mas de menosprezar assuntos cruciais.
O que nós precisamos, o que eu preciso, o que Portugal precisa é de revolução. Revolução de mentalidades.
E aqui fica uma sugestão...

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