segunda-feira, maio 26, 2008

artista da bola (ou será do euro a chegar?)

Quando hoje, na minha rua, uma bola veio na minha direcção, mandada por duas miúdas, e pude dar-lhe um toque, veio-me a seguinte epifania:

O Cristiano Ronaldo provoca em mim uma sensação semelhante à da Uma Thurman* no Kill Bill - um desejo irreprimível de acordar um dia e saber dar toques mágicos na bola. 


*sendo que, no caso da Beatrix Kiddo, o desejo é de acordar a saber kung fu.

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quarta-feira, abril 02, 2008

à pendura

Hoje andei pela primeira vez à pendura. Devo dizer que passei os primeiros 5 minutos a achar que ia morrer, os 5 seguintes a pensar que afinal até era fixe, principalmente se não morresse, e os últimos 5 a variar entre estes dois pensamentos. À volta, não sei se foi da cerveja que bebi, já estive a curtir à grande essa coisa de andar de mota. E os 110 kms à hora até me pareceram bastante seguros. O pendura só precisa de confiança. É um jogo. Tem de abdicar do controlo, coisa muito difícil para mim, e confiar em quem está a conduzir. Eu não percebo nada de motas. A única coisa que percebo é que aparecem-nos de repente ao nosso lado, quando vamos a conduzir o nosso carro. E a outra coisa que sei é que levam uma pilada e lá vão elas... por isso, achei melhor relaxar e aproveitar - porque não haveria nada que realmente pudesse fazer em relação a isso. 

Não teres vidros a proteger-te da paisagem garante a fragilidade da tua posição, mas também a liberdade. Estás realmente em contacto com a estrada (salvo seja) e com a cidade.

Decidi então que o meu objectivo a médio prazo é adquirir uma destas, sem carta sem mudanças, só a passear pela cidade no Verão. Preciso da ajuda para a cor...




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segunda-feira, março 31, 2008

está de volta

Na semana em que está em Portugal e lança o novo disco "Maré", convém mencioná-la. Adriana Calcanhotto, aqui noutras andanças (ainda não há nada novo no youtube, é pena) e um pouco desafinada talvez da nervoseira, com a Bethânia. Numa das suas canções mais memoráveis. Vale a pena ver...

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quarta-feira, outubro 17, 2007

O caso da gola torta

Quando um desconhecido oferece flores, isso é impulse, toda a gente sabe.
Quando uma vizinha no café diz para endireitar a gola, isso é a Graça e o impulso é dar-lhe um estalo. Mesmo que se endireite de facto a gola, logo a seguir, e ainda se agradeça o reparo, feito em público (com espectador privilegiado), no café cheio de gente mesmo em frente a casa, o impulso continua a ser um estalo.

Tenho tendência para o desalinho. De tal modo, que acabei por incorporá-lo de forma a que não me pudesse danificar. Ou seja, manipulei-o ao ponto de o transformar em estilo. Mas de vez em quando a coisa falha e volto a ser simplesmente desalinhada.

Tive duas avós, muito queridas e para sempre no meu coração, que gostavam de me alinhar. Principalmente uma. E a tentativa de me alinhar, endireitar a gola, pentear o cabelo, apertar o botão da camisa, opinar sobre as cores, etc. etc., era uma constante. Também me dizia, mais do que qualquer outra pessoa, como era linda e bonita e a menina dos seus olhos. Mas há sempre espaço para mais apuro. E com essas considerações, vinham também outras "uma menina senta-se de pernas fechadas", "tens de ser uma boa dona de casa", etc. etc. etc.

Fui fazendo do desalinho uma pequena arma a meu favor quando conseguia controlá-lo. Fui passando pela difícil tarefa de superar o reparo, a chamada de atenção, até ao ponto de querer ser mesmo desalinhada, para conseguir dar a volta de novo e alinhar-me à minha maneira.

Mas a vizinha... o raio da vizinha... que anda todo o santo dia de bata pela minha rua sem nada para fazer, o raio da vizinha armou-se em avózinha com privilégios de reparo. O diabo da vizinha chamou-me a atenção da gola. É difícil de engolir, mas eu tenho a escola toda e, durante todo o dia, fui confirmando a gola alinhada. Até finalmente me despir.



(ao terminar de escrever este post, o meu colega do lado chamou-me a atenção que tinha o meu casaco debaixo da cadeira. Estava literalmente a atropelar o meu próprio casaco. Há coisas a que não conseguimos de facto fugir.)

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domingo, abril 08, 2007

Post vão II



Sapatos ou ténis?

A propósito de uma discussão com a minha boa amiga... Se uma pessoa os usar como sapatos, passam a ser sapatos. Terão a roupa, os acessórios, o calçado, uma definição essencial ou uma definição em relação? Qual a verdadeira qualidade de um sapato? E de uns ténis?

Questões existenciais sem fim...

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segunda-feira, março 19, 2007

O meu pai* está muito à frente

Comprou um carro híbrido!





E pronto, hoje é dia do pai! Parabéns ao meu e aos bons que conheço.



*a minha mãezinha também, uma vez que o carro também é dela, mas já que é dia do pai... ela percebe!

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domingo, novembro 05, 2006

Post vão

Ao despir o vestido, senti um misto de alívio* com nostalgia.
Apesar disso, o meu lado excêntrico** compensa sempre. A bicha louca que há em mim rivaliza com sucesso com a discreta intelectual que é preciso ver através dos óculos. E, no final da noite, já planeava o próximo devaneio, olhando de soslaio para as calças pretas que iria usar no dia a seguir. No fundo, dizia-lhes que eram da minha total confiança, mas já não me levavam ao céu e aquele brilho particular que lhes reconhecera em tempos tinha-se desvanecido.


* O alívio foi mais a descalçar as botas. É ainda demasiado cedo para o cano alto. E não é que um saiote faz calor como tudo?
** Entenda-se excêntrico como uma variação intrínseca ao estilo vicentino, cuja principal regra é usar tudo como se fizesse parte e nunca como uma máscara. Por mais absurdos que possam parecer os acessórios ou as peças de roupa, o importante é nunca tomá-los como estranhos. Nunca se tome o estilo vicentino como um dado adquirido ou balizável. Nunca! Ainda não viram nada...

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sexta-feira, outubro 27, 2006

1 ano

Quem diria? Ainda não é desta que acabo.

Parece que foi ontem que o naperon se guardou na gaveta.

Do bombazzine, posso dizer que se vai fazendo. Uns dias com mais estilo que outros, mas definitivamente sempre com ar coçado.

Parabéns a mim e aos que me vêm visitar.

Sede bem-vindos a este novo ano!


P.S. gandas cores hein?

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quinta-feira, setembro 28, 2006

O raio da puberdade tardia

Quando a criança de cinco anos te começa a dar festinhas no cabelo, ou aquilo que tu julgas que são festinhas, e tu dizes ai que bom, festinhas e ele te responde estou a tapar as borbulhas que tens na testa, sabes que chegou o momento de marcares uma nova consulta de Dermatologia.

Ou isso ou aceitar o conselho dele e começar a pôr a franja para a frente.

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quinta-feira, setembro 21, 2006

Desenganem-se

Este blog até pode estar a morrer lentamente, mas uma coisa é certa: depois de ver a roupa da nova estação, vou continuar a investir em bombazine.

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Mudança de estação

A essência das quatro estações está na transição entre elas. O conceito meia estação é rico por isso. Não está calor, mas também não está assim tanto frio. Chove, mas sabemos que não será por muito tempo.

Hoje acordei com o som da chuva a bater na janela. Sorri, virei-me para o outro lado, meio incrédula, e voltei a adormecer. Mas o sorriso estava lá. Quando me levantei, o pátio parecia uma piscina. A roupa estendida estava encharcada, ficando ainda mais quando, ao tentar trazê-la para dentro, deixei cair o estendal (plof!) no meio da piscina. Desentope a piscina, quer dizer o pátio, e ala para o roupeiro olhar para a roupa de Inverno. Ai, a camisinha, que contentamento. Muita roupa desaparecida. Um dos mistérios das mudanças de estação é a roupa perdida...

Não há nada como o primeiro dia de chuva. O primeiro dia em que se percebe que definitivamente o verão acabou e podes esquecer o chinelo. É como o primeiro dia de praia. Não podes deixá-lo passar nem ficar a dormir.

O chapéu de chuva ficou no carro, obviamente. E 50 metros até ao veículo são suficientes para me encharcar dos pés à cabeça. Entro o mais rápido possível no carro, sacudo-me e continuo toda contente. Escapo ao trânsito, porque o meu caminho não tem filas nem é afectado pela greve do metro. Chego muito antes do que é normal, há imensos lugares. O sol não me tem feito levantar.

Esta chuva é purificadora, anuncia o começo de novos tempos. Esta chuva, a continuar, será objecto de saturação e, em duas horas, já não vou aguentá-la mais. Mas agora esta chuva é do melhor que há...

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quarta-feira, agosto 02, 2006

Tendências

Logo pela manhã, com a tralha da reciclagem nas mãos, simplesmente a sair de casa em direcção ao carro, arrisquei a vida e quase comprometia o meu bom aspecto habitual.
Lentamente, descia um camião tir pela rua. Calculei que me desse tempo para me desviar do prédio em obras que inviabiliza a passagem no passeio, sem passar para o outro lado - ou seja permaneci na estrada, mesmo perante a visão assustadora do camião. Quase na curva apercebi-me que não poderia permanecer ali muito mais tempo, caso quisesse continuar com vida. Mesmo a tempo, género missão impossível versão ana vicente (é tudo muito mais lento, mas igualmente arriscado), atirei-me para dentro do passeio.
Ao mesmo tempo, toco com a minha cabeça numa rede presa aos andaimes e caem-me em cima duas mãos cheias de areia de obra. Sacudo-me feita cadela, já que as mãos estão cheias de material reciclável. Grãos de areia escorrem-me pelas costas, mas sei que o principal problema é a cabeleira farta.
O camião passa, alheio à minha desventura de peão inofensivo.
Concluída a missão da reciclagem, ponho as mãos ao cabelo e percebo que aquilo sim poderia ser um problema de caspa incurável.
Passo os 20 minutos seguintes do trajecto a tirar pedaços do prédio da minha cabeça.

Impecável, chego ao trabalho, conto o sucedido à minha boa amiga e ela diz-me que isto não é material de boa história. Este post serve para provar que sim... ou eventualmente que não. De qualquer modo, é uma história. E a verdade é que ninguém deu conta. Mas se até o sujeito da Missão Impossível (o Cruise) ia casar sem dizer à namorada que era agente secreto, por que não eu manter esta vida arriscada na minha rua mantendo toda a gente na ignorância?

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terça-feira, julho 04, 2006

Desporto

Sempre fui uma desportista de espírito.
Andei a disfarçar durante quase 30 anos, mas agora o grito da forma física saiu e já não tenho de me esconder. Estou em condições plenas de assumir, a quem quiser ouvir, que sou desportista. A intelectual que há em mim anda meio rezingona e a tentar equacionar a hipótese de sobreviver à energia das corridas, às pulsações aceleradas e ao suor puro do esforço físico sem prazer orgásmico. Anda a tentar enfiar, no meio das partidas de ténis e dos circuitos de manutenção, a frase mente sã em corpo são para se lembrar que ainda está viva.

No entanto, quer a desportista quer a intelectual, perdem para a vaidosa. No final da corrida ou da partida, o melhor que me podem dizer é tens estilo a jogar/correr.

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quarta-feira, junho 21, 2006

Não sei quando é que este blog se tornou um blog sobre cabelo, mas...

Devo dizer que o verão acabou de chegar hoje, já não tenho de ter esta trunfa e, para mal dos meus pecados, não consigo encontrar a minha "cabeleireira" pessoal.

Se até aqui este cabelo tinha uma "utilidade" meio vaga, mas ainda assim pertinente na minha retorcida forma de pensar, a partir de hoje não faz qualquer sentido e a cada minuto terei de perguntar-me porquê, porquê.

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segunda-feira, junho 19, 2006

Lost in translation IX

Eu e o puto, depois de duas semanas de distância.

Eu - Não achas que estou com o cabelo muito comprido?

Ele - (olha para mim) Deixa ver. (levanta-se e põe-se atrás de mim - pelos vistos a "afro" à frente e dos lados não pode ser considerada comprida)

Eu - O que achas?

Ele - Já passa o pescoço. Está mesmo comprido.

Eu - Pois.

Ele - E estás cheia de caracóis. (já ao meu lado e rindo-se para mim) Tens muitos caracóis. Pareces uma cara... calo... pareces uma caloria!

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domingo, junho 18, 2006

O que é que as pessoas vão pensar?

Desculpa lá, mas não achas que estás com o cabelo demasiado grande para a tua sexualidade?

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domingo, junho 11, 2006

Até ao Verão*

Nestes dias de praia, descobri que não preciso usar chapéu. O volume do meu cabelo é tal que o meu couro cabeludo se tornou impenetrável ao sol.

Já é uma sorte queimar-me a cara.
Já é uma sorte ver alguma coisa.
Já é uma sorte ter uma voz emblemática, para que as pessoas me possam reconhecer.


* Nunca mais faço promessas com o meu cabelinho.

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sexta-feira, junho 02, 2006

Erros do presente

Confesso que estou um pouco desiludida* com a minha tão querida e adorada Adriana Calcanhotto. Razões para isso? Bom... Há uns dias, fui até ao site à procura de umas coisinhas (de vez em quando passo por lá) e dei-me conta que ela tinha tirado o seu primeiro disco da secção de discografia. O disco, chamado Enguiço e que obviamente tenho (pela segunda vez, porque o primeiro foi arrastado pelo chão quando puto era bebé), já esteve por lá e agora desapareceu...

Só porque ela na altura tinha cabelo de palha, roupa de palhaço (como podem ver na capa que aqui mostro) e ainda não usar os dois tt no nome, isso não é razão para limpá-lo do currículo. É igualmente certo que há agudos desnecessários no disco, assim como uma evitável incursão de um saxofone, mas por favor tem canções muito boas!



Não sei... fiquei assim com a sensação de que ela estava a querer limpar a imagem, apurando aquele seu lado tão cerebral e rectilíneo. Achei coisa de artista sofisticado (que sei que ela é mas há limites)... e desagradou-me. Não cospe na sopa, adriana, que é uma bela sopa!


*na minha condição de fanzaça, isso tem poucas repercussões a nível prático, mas vai amolgando um pouco. Continuo, obviamente, a ouvir excessivamente, desde o enguiço até à partimpim.

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