quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Explica-me como se tivesse 6 anos...

Quando ele me diz que óptima se lê opetima, reconheço que o acordo ortográfico até faz um certo sentido. Blasfémia! Blasfémia, bem sei! Mas eu explico-lhe: o "p" está lá, mas não se lê. Às vezes, é assim, digo. E depois reformulo: mas vai deixar de ser, o "p" vai cair nas palavras em que não se lê. E ele (já tão conhecedor, Deus meu!) diz "e os Cês também?". Eu respondo que sim, mas que ainda não sei como irá ele aprender. 

E, perante este diálogo a olharmos para uma publicidade no eléctrico, pergunto-me que raio! afinal para que serve o P ali? não é um pê de facto. Para que havemos de agarrar-nos à grafia da coisa??? A beleza de todas as línguas, digo eu, está na sua evolução, na sua capacidade de mudança e adaptação (espera, este pê lê-se). 

Mas depois ele pergunta: e o agá? E passa-me logo a adesão ao tratado. Respondo imediatamente NÃO, o agá não! Lembro-me da palavra úmido e sinto um ligeiro calafrio. O H também???? Porcaria esta coisa da língua evoluir! 


(aparte essa situação, o que me chateia mais no acordo é a ideia de normalização, o que de facto empobrece a meu ver mais a língua, do que realmente a enriquece. Eu adoro o português do Brasil, mesmo, acho-o melodioso e a nossa face extravagante. Mas também adoro o português daqui e não percebo porque não podem andar os dois amiguinhos, sem serem siameses, porque de facto nunca serão.) 

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terça-feira, fevereiro 26, 2008

Perguntas difíceis

É bom saber que existe a wikipedia para quando ele me faz perguntas difíceis.

Repitam comigo: Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico.

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segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Estamos por aqui

Finalmente, hoje no Público, pode ler-se qualquer coisa sobre uma realidade que anda por aí. Tão difícil de nomear e cujas principais dificuldades estão no silêncio e no vazio legal. Com uma criança, as respostas são diárias e o desafio é universal - no concreto e no particular, a luta de uma "madrinha" (como nos foi conveniente chamar-me) é a mesma de que qualquer outro progenitor. O reconhecimento legal e social é que tarda. 

A realidade já está aí, para cada vez mais pessoas. 
Quanto tempo até a legalidade chegar? 

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terça-feira, fevereiro 12, 2008

As marcas

Agora que ele está a aprender a ler, é maravilhoso assistir à vontade compulsiva de ler tudo o que lhe passa pelos olhos. No carro pela cidade, num trajecto que não demora mais que 10 minutos, diz muitas vezes palavras que não sei o que querem dizer. Pergunta-me e eu respondo que não sei, que provavelmente são marcas de alguma coisa ou empresas. Sei que são marcas, porque não querem dizer nada e porque grande parte da oferta "literária" do nosso trajecto é constituída por publicidade e toldos. 

Numa viagem ao alentejo este domingo, pus-me a pensar que uma criança que cresce no campo não leva com esse ruído publicitário nas ruas, e que verdadeiro estímulo é esse de ler palavras sem significado aparente? 

A propósito deste artigo no Público sobre Marketing Escolar, lembrei-me dessa inquietação que me surgiu ao pé das ovelhas e dei graças aos céus por a escola do puto não usar manuais escolares, antes são criados em conjunto e de raiz.

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quinta-feira, setembro 13, 2007

Primeiro dia

Primeiro aparecem os algarismos e as letras e depois começam a juntar-se todos e a formar coisas novas. Coisas que nos fazem perceber melhor o mundo, que nos fazem perceber melhor a nós próprios. Coisas para nos expressarmos.
No fundo, são "apenas" coisas que se aprendem na escola. Aprendem-se coisas que servem para outras coisas mais. E, às tantas, há tantas coisas que já nem sabemos como elas surgiram primeiro.

Não sei qual a primeira palavra que li com olhos de ler, nem a primeira soma que fiz sem ser com maçãs, mas passei por aí. E hoje é ele que começa. Que entra por aí adentro, pelo mundo fora, parece-me agora neste instante, em que de repente já está grande de mais. Como se a autonomia, visível de dia para dia, fosse agora ainda mais real, mais inevitável que andar ou comer ou fazer chichi sem fralda. Porque agora a sua expressão, já tão expressiva, tão senhor das suas próprias ideias que é, vai ganhar novos contornos. Contornos cada vez mais humanos. A linguagem, a escrita, a leitura, a língua portuguesa, tudo para ele por abrir, agora neste instante, pela primeira vez desta maneira.

E não há como não me comover, porque cada vez se torna mais livre, com as suas próprias palavras, com os seus números e contas, com as suas ideias. Não há como não me comover... Porque, quanto mais autónomo, mais próximo fica do mundo, das pessoas e também de mim. Cada vez mais pessoa que é... não há como não celebrar este dia.

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segunda-feira, julho 02, 2007

Nuances de uma educação de esquerda

Anda uma pessoa anos a tentar escapar ao rótulo de intelectual, para dar consigo a um sábado de manhã a jogar xadrez com uma criança de seis anos, que, ainda por cima, diz que não gosta do xeque-mate. Entenda-se: não gosta, como princípio, de matar o Rei. O Xadrez é um jogo de estratégia cuja analogia é a guerra, mas o pacifismo vence no final, uma vez que se opõe ao derradeiro xeque-mate. É certo que muitos peões ficam pelo caminho, mas vá.
Como se não bastasse, ainda vem ao de cima a posição anti-clerical, uma vez que o puto pensava que bispos eram os que tocavam corneta à entrada dos palácios. Não fazia a mínima ideia o que eram os sujeitos nem que tinham poder junto dos reis, demonstrando o pouco reconhecimento que se dá às batinas.
Pelo menos, terminámos o dia a jogar à bola.

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segunda-feira, abril 30, 2007

Putos...

Já aconteceu, nalguns filmes de animação, ele virar-se para mim e dizer que se quer ir embora. Normalmente em cenas tristes, em que se decide que um pouco de melodrama há-de fazer bem às criancinhas. Uma personagem que morre e fica alguém a chorar. Uma personagem que se perde e tem um momento de saudades. É nesses momentos que a sua mãozinha procura a minha e a agarra. Se se tornar insuportável de triste, vira-se para mim e diz "vamos embora". Quase sempre acaba por passar. À segunda vez que o diz, vamos mesmo e pronto.

Ontem, fomos ver as tartarugas ninja. Com monstros e pancadaria de meia-noite. Eu estava atenta a imaginar quando chegaria esse momento e, quando apareceu o primeiro monstro, procurei eu a mãozinha dele. Mas nada, nem me ligou. Até ao intervalo, já tinham aparecido 10 monstros horríveis, já tinha havido muito porrada com ninjas e figuras de pedra renascidas. Até ao intervalo já se tinha virado pelo menos três vezes para mim a dizer "BUEDA FIXE!". Quando terminou a primeira parte do filme, veio aos pinotes cá para fora e disse-me "é tão fixe que nao conseguia tirar os olhos do filme!".

Comprámos mais pipocas e pronto... se é para a animação, que se dane! 'Bora lá ver tartarugas à porrada com estátuas!

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quarta-feira, março 21, 2007

Faz sentido

É o primeiro dia da Primavera.
É dia da poesia.
É dia da árvore.

É um dia que te faz justiça.
Só este dia poderia reflectir o renascer, a emoção e as raízes que deixas há seis anos na minha vida.
Mais do que ver-te crescer, cresço contigo.

Feliz aniversário para a mais bela criatura deste mundo.

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quinta-feira, janeiro 25, 2007

Roubo de presente alheio

No Natal, o miúdo recebeu* um livro chamado Têpluquê e outras histórias, uma reedição de textos de Manuel António Pina. Ele ainda não começou a mostrar grande interesse pelo livro, é menos "infantil" do que os outros livros a que se habituou e com ilustrações de Bárbara Assis Pacheco mais arrojadas do que o normal. Eu, pelo contrário, já comecei a mostrar interesse e tenho-me deliciado com algumas das coisas que lá estão, principalmente porque até há uma Ana que não sabia que outras pessoas podiam ter o mesmo pensamento que ela. Para ele, continuo a ler outro género, como por exemplo outro presente (oferecido pelas mesmas pessoas) que me obriga a tentar dizer, sem me engasgar toda, a palavra Eustreptospôndilo. Poderia parecer mais complicado que o imaginário do Têpluquê, mas por ser um nome de dinossauro com tendências necrófagas, pelo contrário, é mesmo "muita fixe".

Voltando ao livro e ao meu roubo temporário, fiz dele também o meu auto-presente antecipado de aniversário, devido ao poema inicial de 1980, que partilho agora convosco e se chama "À Ana no dia do seu Anaversário". Se há algo mais doce que isto...

"Havia uma flor!
Nem eu sabia
onde é que a flor havia,
mas tanto fazia.

Talvez houvesse
onde ninguém soubesse
ou fosse uma flor de estar a haver
só na minha imaginação,
ou não fosse uma flor, fosse uma canção.

Nem a flor sabia
que existia.
Em qualquer sítio, sem saber, floria.
E se fosse uma canção cantava e não se ouvia.

E isso acontecia
no meu coração.
Não sei se era uma flor se uma melodia,
era qualquer coisa que havia
e cantava e floria
dentro de mim sem razão.

Ia na rua e ninguém diria.
As pessoas passavam
e eu dizia:
«Bom dia!»
e ninguém suspeitava
o bom dia que fazia
em qualquer sítio
que dentro de mim havia!
Só eu sabia e sorria,
levando-te pela mão."


* Bem hajam, Inês e João.

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segunda-feira, dezembro 18, 2006

Um presente




Há um ano começava a escrever esta história a pensar no bebas. Neste aniversário, eu e o Bolila completámos o projecto. Espero que mãe e filho gostem.

E também todas as outras crianças maravilhosas que conheço, em especial uma que é um batatinha que me pede para contar 3 histórias a cada refeição e que, a partir desta, já me fez inventar a da ervilha do quintal e tenho encomendada ainda a história da cebola... ui catrabalheira.

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domingo, dezembro 10, 2006

Numa conversa sobre vício

Diz-me o puto que todos os dias tem vontade de comer chocolate e que, se calhar, está viciado.

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terça-feira, outubro 31, 2006

Tempos

Como é que antigamente, antes de haver carros e carroças, as pessoas andavam de um lado para o outro?

Esta foi a pergunta. Fácil a resposta. À partida. A pé ou a cavalo ou num burro...

Mas e quando não havia animais...

Tururu, fácil, fácil. A pé, se não havia animais, andavam a pé...

Mas então quando essas pessoas estavam com pressa ou atrasadas para chegar, o que é que faziam?

Pronto, safo-o a ele com a resposta balbuciante e lixo-me já eu agora a mim com perguntas. Dantes as pessoas não tinham tanta pressa em chegar aos sítios... as distâncias eram diferentes para eles. Quando estavam atrasadas, não estavam tão atrasadas como nós... o tempo era muito diferente do tempo de agora...

Entre gaguezes minhas, perdeu o interesse. E eu pus-me a pensar em como ele, e também eu já agora, nascemos num tempo em que a noção de pressa e de atraso estão quase sempre presentes. Já acordamos a correr. Chegamos ao sítio antes ou depois do combinado, por diferença de mais ou menos minutos, telefonamos para fazer o status report da nossa localização actual, pomo-nos em marcha, seguimos os horários, tentamos cumpri-los, aceleramos, fazemos tempo.

Pus-me a pensar em como a vida, de tão rápida, não passou a ser mais longa, nem sequer mais curta. De como minutos nos podem impacientar em oposição aos anos de paciência de antigamente. Em como perdemos a esperança se não recebemos um sms no tempo certo e em como era possível esperar meses por uma carta.

Pus-me a pensar no amor e como a urgência podia durar uma vida, ou umas quantas nossas. Pus-me a pensar no tempo e apeteceu-me descansar um bocadinho.

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quinta-feira, outubro 26, 2006

Apaixonado?

Ontem, pisca um olho, depois os dois, depois o outro, sem parar, pisca, pisca, pisca. Eu comecei pelo reconhecimento "uau já piscas tão bem os olhos" até ao já não te posso ver piscares os olhos, versão "pára que ainda fazes mal aos olhos".

Piscadela final com os dois olhos, suspendendo as mãos no ar.

Tirei uma fotografia, diz-me.
Eu reforço a ideia, sim podem tirar-se fotografias assim, ficam gravadas na cabeça.
Para sempre, afirma sem qualquer dúvida, retomando com há uma que tirei que está sempre a aparecer, com a X (não posso revelar o nome, pois é uma criança desconhecida, pelos vistos coleguinha mais velha) só muda a parede atrás, mas é sempre a mesma.

Pelos vistos, a tal da miúda mais velha conta sempre muitas histórias a caminho da escola no carro. E ele delicia-se, está visto. E tem a fotografia dela gravada na cabeça, mudando apenas o cenário atrás.

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quarta-feira, outubro 25, 2006

As coisas que me saem da boca

Ele (muito interessado na possibilidade de vir a aprender a ler e a escrever) - Depois tens de me ensinar uns truques para eu aprender.

Eu (muito ciente das minhas responsabilidades e contra o facilitismo) - A primeira coisa que tens de aprender é que não há truques.

Menos um ponto para a gaja porreira que dá dicas. Estarei a tornar-me chata?

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segunda-feira, outubro 23, 2006

Écanãoentendo

Ontem, no cinema, antes de começar o "Balbúrdia na Quinta", passou o anúncio da PT dos Gato Fedorento, na íntegra aqui. Os miúdos todos (ou quase... o meu só se riu) que estavam na sala começaram a entoar em coro as falas do anúncio. Mas com os timings certos e tudo. "É pá, cum catano! Vai buscar!" Foi impressionante.

Hoje de manhã, consegui finalmente ir aos correios antes das 9h30, e a Estação já estava completamente cheia de velhinhos e velhinhas, que devem ter imensas coisas para fazer durante o dia e por isso vão logo cedinho, não vão os trabalhadores por conta de outrém chegar antes deles à Estação e roubar-lhes o lugar. Por mim, tudo bem. Levantem-se às sete, comprem pão, vão aos correios e corram para casa para ver a Praça da Alegria.

É nestes momentos que percebo qual é a minha idade e quais os meus afazeres. É que os velhinhos foram pagar a conta de luz, eu fui levantar uma multa das finanças. Por outro lado, se têm crianças sensíveis a mortes de animais humanizados embora adorem o "Tom e Jerry", não as levem a ver o dito filme, porque são bem capazes de ter de sair a meio.

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quarta-feira, outubro 04, 2006

Posso voltar para a cama, posso?

Tudo começou quando estava a limpar-me depois do banho. De repente, ocorreu-me a dúvida. Estava molhada, isso era claro. Já estava na banheira há muitos minutos e tinha levado com muita água em cima. Mas será que tinha realmente tomado banho? Olhei para o champô e para o gel de banho. Pareciam tão alinhados. Tentei reconstituir o banho na minha cabeça. Nada! Não me lembrava de nada, além dos pensamentos cíclicos que tenho pela manhã. Suspirei, fechei a cortina e voltei (ou terei começado) a tomar banho. Desta vez com toda a certeza, bem desperta, dos gestos que estava a fazer. Foi o champô para o cabelo, o gel para o corpo. Sim, tomei banho.

Devia ter desconfiado. Devia ter previsto que perder quase meia-hora na casa-de-banho de manhã, porque não se tem a certeza se se tomou ou não banhoca, é um sintoma de completa inaptidão para construir o dia em todos os seus passos. Lá me vesti em câmara lenta, lá preparei o almoço do miúdo (estou a torcer por não ter trocado nada), lá o acordei, alimentei e vesti. A caminho do carro, consegui articular um raciocínio sobre o 5 de Outubro e a importância da República para a democracia em geral, enquanto ele tentava perceber o que raio era essa coisa e ainda a monarquia e mais não sei o quê que eu lhe disse.

Pois que depois me enganei no caminho pela primeira vez na vida. E o trânsito da baixa aumentou os meus níveis de stress ao ponto de querer gritar com todos os condutores, mesmo com o puto ali. E finalmente a chegar, com uns míseros 10 minutos para estacionar o carro, encontrei um primeiro lugar aliviada, mas ao estacionar toca de bater num pilar do passeio. De tal modo que o carro nem precisava ficar travado, estava para todo o sempre apoiado na estrutura verde. Lá tive de raspá-lo mais um bocado para tirá-lo dali e, não aguentando a vergonha, fui procurar outro lugar. E quando achei que o encontrei, afinal era demasiado pequeno, mas eu já estava entalada entre os dois carros, o pneu semi-colocado em cima do passeio, a nova frente direita (nova, porque verde do raspanço) a sair para sorrir para os eléctricos que passassem. Bonito! Lá saímos nós. E a caminho, decidimos que se calhar era melhor voltar ao método antigo, sem ser eu a levá-lo à escola. Até ele reconheceu.

Esgotada, deixei-o à porta, atrasado 3 minutos. E, compreendendo a exaustão, entrou sem problemas, porque já bastava de atrasos e confusões.

De volta ao carro, um casal de velhinhos veio em meu auxílio e consegui tirar o carro com meia dúzia de pessoas à porta dos estabelecimentos a olhar.

Ao menos, tenho a certeza que tomei no mínimo um banho!

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quinta-feira, setembro 28, 2006

O raio da puberdade tardia

Quando a criança de cinco anos te começa a dar festinhas no cabelo, ou aquilo que tu julgas que são festinhas, e tu dizes ai que bom, festinhas e ele te responde estou a tapar as borbulhas que tens na testa, sabes que chegou o momento de marcares uma nova consulta de Dermatologia.

Ou isso ou aceitar o conselho dele e começar a pôr a franja para a frente.

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quinta-feira, agosto 31, 2006

Se há coisa boa na vida

é ser apanhada por uma torrente de felicidade e comoção. É encontrar, numa nova vida que "rebenta" para o mundo, toda a esperança, toda a luz que qualquer ser humano tem dentro de si.

O poder de um bebé que nasce é avassalador. E é um poder exclusivo do amor.

Bem hajas, pequeno Tomás. Bem-vindo! Cá estou para amar-te.

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sexta-feira, julho 28, 2006

Parecia tão simples!

Decidir ir de fim-de-semana com uma criança parece uma decisão espontânea e com consequências simples.

Antes sequer de partirmos, vendo-me a alinhar a bagagem e a carregá-la para o carro, antecipando todas as possíveis e efectivas faltas (será que pus a coisa mais indispensável? tenho de ir comprar não sei o quê, já me esqueci, ai meu deus!), percebo que a ideia de fim-de-semana é uma utopia! Sair de casa por duas noites com uma criança equivale a ter a mesma capacidade de planeamento para dirigir uma empresa durante um mês... (mesmo não fazendo ideia do que isso seja).

O que interessa reter é que não há saídas simples, rápidas, ligeiras, com uma criança. É uma espécie de mudança de casa, principalmente quando decides dizer ao puto para escolher os brinquedos que quer levar. O limite foi quando disse que queria levar a flauta para nos tocar uma ópera (????)... mostrei-me muito entusiasmada, disse "ai que boa ideia" e estranhamente a flauta desapareceu.

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domingo, julho 23, 2006

Se não vai lá pelo exemplo, vai lá à estalada*

Anda uma pessoa a tentar educar uma criança nos valores da igualdade, da emancipação dos géneros, da não-discriminação, blábláblá, para, no meio do nada, ouvir "as mulheres não podem conduzir".

É que se fica a pensar "até tu, brutus? Tu livra-te de seres misógino, machista, sexista, e outro ista que não me convenha!!!". É que eu parto tudo!


* A estalada aqui aplica-se a todos os que à volta insistem em passar o estereótipo e não à criancinha tão linda, que só dá vontade de apertar o gasganete de amor. Estaladas não.

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